Entrevista com Steve Morse.


Steve Morse é um dos guitarristas mais influentes da atualidade. Esbanja técnica e feeling em suas músicas, tanto no Dixie Dregs, como na Steve Morse Band, e, como guitarrista do Deep Purple, nos trouxe excelentes trabalhos como “Purpendicular” e “Bananas”. A entrevista a seguir foi realizada ano passado, inicialmente para um outro veículo, e por contratempos diversos só agora foi possível a sua publicação. Extremamente simpático, Morse respondeu a perguntas sobre o lançamento de “Rapture of the Deep” e também sobre a passagem do Deep Purple pelo Brasil.

Vamos começar falando do novo álbum do Deep Purple, o que os fãs podem esperar dele?

Steve Morse – Eu acho que soa mais como o Purple clássico, algo meio que atualizado, mas familiar àqueles que conhecem o “Machine Head”, por exemplo.

Qual foi o equipamento usado por você na gravação do álbum?

Steve Morse – Eu usei minha nova guitarra Music Man Y2D. É basicamente uma atualização do modelo Steve Morse com um acabamento em roxo numa bela madeira com captadores roxos. É chamada Y2D porque nós começamos o modelo Steve Morse com a Ernie Ball 20 anos atrás. Também usei uma Music Man Baritone, uma guitarra de 6 cordas afinada uma quarta abaixo,em duas músicas. Os amplificadores usados foram um Marshall 2000 e um Peavey 5150. Logo após o término das gravações, eu tentei usar um amplificador ENGL na turnê, deu certo, e eu estou usando ele em todos os shows do Deep Purple.

Quanto aos shows do Deep Purple aqui no Brasil, o que você pode dizer a respeito?

Steve Morse – Será uma mistura do Deep Purple clássico, alguns sons antigos bem incomuns em shows do Deep Purple, uma ou duas do “Bananas” , e provavelmente três do “Rapture of the Deep”.

Você tem planos de gravar um novo álbum com o Dixie Dregs ou com a Steve Morse Band no futuro?

Steve Morse – Eu comecei um projeto com a Steve Morse Band, mas será desenvolvido lentamente, por causa da agenda do Van, Dave, e a minha. Nós gostamos de trabalhar juntos, e vamos nos ver, pelo menos para tocar um pouco em dezembro.

Você ainda estuda todos os dias? Quais exercícios você usa para aquecer antes do show?

Steve Morse – Sim, todo dia. Use ou perca. Eu aqueço com escalas, de preferência com um metrônomo, depois toco partes difíceis de músicas que certamente são um desafio. Existe uma música instrumental que chamamos de “The Well Dressed Guitar” (A guitarra bem vestida), que me vem à mente como sendo um grande exercício também.

Você tem muitos fãs aqui no Brasil, e algo que tenho certeza que todos desejam um dia ver é um show do Dixie Dregs ou da Steve Morse Band. Será que isso será possível um dia? Acredite, seria um sonho realizado para muitos fãs, inclusive eu.

Steve Morse – Sim, nós também queremos muito que isso aconteça. O problema é que, se eu quisesse fazer isso, teria que deixar o Deep Purple para marcar uma turnê. O que acontece é que o Deep Purple sempre faz algumas mudanças na sua agenda, e eu tenho que estar pronto para fazer mudanças nos meus planos para me adaptar também. Não posso em sã consciência marcar uma turnê com a minha banda, sabendo que há grandes chances de eu ter que cancelar a mesma. Cancelar uma turnê significa organizadores perdendo dinheiro, fãs que compraram ingressos tendo uma experiência ruim, perda de credibilidade. Eu posso dizer que nunca cancelei uma turnê até hoje.

Você deixaria sua carreira musical para ser apenas piloto de avião? Eu sei que você ama voar, e claro, também ama tocar. Se você tivesse que escolher entre uma das duas carreiras,qual escolheria?

Steve Morse – Eu finalmente escolhi. Eu deixei o Kansas na época para ser apenas piloto, e por sorte, consegui um emprego nisso. Eu tive problemas quando eles mudaram minha escala, o que resultaria no cancelamento de um show para manter a escala deles. A propósito, a empresa aérea não podia mudar minha escala, já que eu havia escolhido as piores escalas possíveis como véspera de Natal, Natal, véspera de Ano Novo e Ano Novo. Eu tinha marcado um pequeno show para poder me manter até não ser promovido e ter um salário maior e decidi não cancelar o show. Depois disso decidi deixar a carreira de piloto e voltei para música em tempo integral.

Quais bandas você tem ouvido ultimamente? Alguma delas influenciou na sonoridade do novo álbum do Deep Purple?

Steve Morse – Normalmente eu ouço coisas bem obscuras, e geralmente não sei quem são, pois não é sempre que os DJs das rádios dizem qual era a banda tocando.

Steve Morse – Eu ouvi uma grande performance ao vivo do System of a Down e gostei muito principalmente porque é um som diferente. Eu amo também ouvir bandas com as quais tocamos em festivais como Dream Theater, Warren Haynes, Joe Satriani… você sabe, bandas com grandes guitarristas. O Deep Purple é influenciado por 200 anos de experiência de todos os integrantes combinados.

Após todos esses anos como músico, você adquiriu uma técnica fantástica, teve muitos álbuns lançados, tocou em diferentes partes do mundo, faz parte do Deep Purple, que é uma lenda do Rock… Eu pergunto, existe algo que você ainda não conquistou? Algum sonho que você ainda quer realizar?

Steve Morse – Sim, viver tempo o bastante para fazer shows menores e ainda poder sustentar minha família!!! Sério, eu adoro trabalhar com novos artistas, novos projetos, isso me atrai muito. Eu adoraria fazer um show multimídia com a minha banda, que envolveria hologramas, e ser tão legal que as pessoas não conseguiriam tirar os olhos das imagens e seriam totalmente absorvidas pela musica… algo como um filme com uma trilha sonora constante.

Deixe uma mensagem para os seus fãs.

Steve Morse – Muito obrigado por sempre terem tanta energia e sempre nos apoiarem. Uma noite, tínhamos um show em Curitiba, e ele foi cancelado por algum motivo que nem mesmo eu lembro, mas não foi por culpa de nenhum membro da banda. Nós acabamos ficando sentados no hotel, conversando com os fãs e desejando que pudéssemos tocar. É por isso que estamos aí, para TOCAR!!! Obrigado mais uma vez por sempre estarem conosco!

Agradecimentos: Steve Morse pela sua simpatia e por me atender tão bem, e seu empresário, Daniel por toda sua paciência e por tornar essa entrevista possível.

Fonte:Whiplash>>>veja essa noticia no Whiplash

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